Disfagia orofaríngea: reconheça seus sinais e sintomas

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Foto Divulgação / Catia Coelho

Disfagia orofaríngea é uma dificuldade ou incapacidade de transportar alimentos, líquidos e/ou a saliva da cavidade oral até o estômago. Em outras palavras, essa condição clinica está associada a complicações graves como a desidratação, desnutrição, infecções respiratórias, além de impactar negativamente a qualidade de vida e aumentar as taxas de internações e a morbimortalidade.

No entanto, ao focarmos na população idosa, sabemos que a disfagia orofaríngea é uma condição frequente, ou seja, uma síndrome que já é reconhecida na geriatria.

Mudanças fisiológicas na deglutição

O envelhecimento gera mudanças fisiológicas no processo de deglutição, essas são causadas por modificações anatômicas, na elasticidade dos tecidos, redução da mobilidade e força da musculatura orofacial evolvida na deglutição, além disso, gera mudanças, como por exemplo, no paladar, dentição, olfato, produção de saliva entre outras.

Essas características, portanto, são comuns ao processo de envelhecimento e devido a compensações morfofuncionais elas geralmente não comprometem a segurança da deglutição.

Porém, muitas vezes essas mudanças associadas a múltiplos fatores comuns a essa população passa a gerar riscos na segurança e na eficácia da deglutição, levando assim a um quadro de disfagia orofaríngea.

Os impactos na segurança são marcados por infecções respiratórias e episódios de pneumonia, até com risco de morte, já os impactos na eficácia muitas vezes são sinalizados pela desidratação e desnutrição dos idosos.

Etiologia da disfagia

A etiologia da disfagia orofaríngea é multifatorial nos idosos, e pode ser decorrente de processos relacionados a redução da massa e força da musculatura esquelética da deglutição, além de quadros neurogênicos, como Acidente Vascular Encefálico (AVE) e neurodegenerativos como nas demências, entre outras causas.

Muitas vezes essas condições comuns aos idosos são concomitantes o que pode favorecer a gravidade dos quadros com piores desfechos e prognósticos. Apesar de frequente e grave essa condição muitas vezes ainda é subdiagnosticada e não tratada.

O diagnóstico precoce é essencial para minimizar as complicações dessa condição.

Quais sinais e sintomas podem ser observados?

Alguns podem ser observados pelos profissionais e/ou familiares responsáveis pelos cuidados dos idosos, por exemplo:

  • Tosses durante a alimentação
  • Engasgos durante a alimentação
  • Pigarros durante a alimentação
  • Demora para engolir
  • Esforço para engolir
  • Engolir várias vezes o mesmo volume de alimento
  • Resíduo de alimento na cavidade oral após a deglutição
  • Queixas do idoso relacionadas a dificuldade de engolir
  • Perda de peso relacionada a dificuldade de engolir
  • Pneumonia após engasgos ou tosses frequentes

O reconhecimento desses sinais e sintomas pode favorecer o diagnóstico precoce e minimizar as complicações da disfagia orofaríngea.

Assim, ao observar alguns desses sinais e sintomas é importante procurar o médico responsável ou um fonoaudiólogo especialista em disfagia.

Em caso de suspeita, somente um fonoaudiólogo especialista  pode confirmar o diagnóstico de maneira clínica, e quando for preciso solicitar por alguns exames complementares. Se confirmado, um acompanhamento se fará necessário.

Tratamento com o fonoaudiólogo

O tratamento envolve exercícios específicos para cada caso, orientações quanto a adaptação da consistência dos alimentos, postura, volume e utensílios, bem como manobras para facilitar a deglutição e favorecer a proteção do pulmão. O tratamento da disfagia é interdisciplinar e envolve além do fonoaudiólogo o nutricionista, médico, fisioterapia e equipe de enfermagem.

Para resumir, o conhecimento dessa condição clinica bem como identificar possíveis sinais e sintomas com encaminhamento precoce para avaliação e tratamento é de extrema importância. Com isso podemos melhorar a condição de saúde, qualidade de vida e até proteger a vida de nossos idosos.

 

Tatiana Magalhães de Almeida Gritti, fonoaudióloga, doutoranda em Fonoaudiologia pela UNESP-SP, mestre em Fonoaudiologia pela UNESP-SP e especialista em disfagia pelo CFFa

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