Sarcopenia e Nutrição no idoso

O envelhecer é um processo natural e gradual que altera a homeostase do organismo, que sofre impactos do ambiente externo, levando a modificações físicas, funcionais e nutricionais.

As alterações decorrentes do envelhecimento variam de organismo para organismo e podem sofrer influência, não só de fatores ambientais (hábitos não saudáveis, dieta inadequada, tabagismo, etilismo e/ou sedentarismo), mas também de fatores psicológicos que estão relacionados aos tipos de relacionamentos e à afetividade, além das condições de educação, saúde, personalidade, nível intelectual, capacidade mental, comprometimento da funcionalidade, sarcopenia, impactando diretamente nas atividades básicas da vida diária.

O Termo Sarcopenia

“Sarcopenia” vem do grego (‘sarx’ ou ‘carne +’ penia ‘ou perda) e foi proposto para determinar a perda de massa muscular associada à idade e que posteriormente, incluiu a perda da força. Já o conceito atual, estabelecido pelo último Consenso Europeu (European Working Group on Sarcopenia in Older People – EWGSOP2) é de que a sarcopenia é uma doença muscular, caracterizada pela perda da força, quantidade (volume) e qualidade muscular; sendo assim, a perda da massa muscular o fator determinante da doença e o desempenho físico é utilizado como uma medida para determinar a gravidade da situação clínica.

Os fatores e o desenvolvimento da Sarcopenia

Os fatores são múltiplos e ocorrem de maneira progressiva e generalizada no processo de envelhecimento, associados, como por exemplo, ao aumento de fraturas, quedas, incapacidade física e mortalidade. As associações apresentam relação com o estilo de vida e a alimentação, além de presença de doenças crônicas, sedentarismo e mobilidade física. O desenvolvimento da sarcopenia no indivíduo compromete a qualidade de vida e faz com que o idoso necessite de cuidados específicos para realizar as atividades básicas do dia a dia.

A desnutrição no idoso

A desnutrição tem papel fundamental. Ou seja, a ingestão inadequada de energia e de proteínas, em especial as de alto valor biológico (proteína proveniente de alimentos de origem animal), impacta de maneira negativa no processo anabólico, inclusive da atividade muscular, pois o consumo adequado de energia e de proteínas, incluindo os aminoácidos essenciais (leucina, isoleucina e valina), prioritariamente a leucina, além da ingestão da vitamina D, são necessários para manutenção da massa muscular e desempenho físico.

Antes de tudo, a ingestão inadequada de energia é comum na população idosa, devido a redução do apetite que pode estar relacionado as alterações fisiológicas que acometem o processo de envelhecimento como por exemplo, redução da função sensorial, alteração na sensação de sede, metabolismo mais lento, retardo no esvaziamento gástrico, alteração na secreção de enzimas e respostas hormonais alteradas, que comprometem a digestão, absorção, utilização e excreção dos nutrientes, além das alterações na saúde bucal que comprometem a mastigação e deglutição, bem como a presença de múltiplas doenças (incluindo as doenças neurodegenerativas), polifarmácia, deficiências físicas e mentais.

A pirâmide alimentar no idoso

sarcopenia

(Pirâmide alimentar na população idosa. Fonte: Vitolo, 2015)

A pirâmide alimentar é um instrumento disponível para a população e que tem como objetivo mostrar os alimentos que devem compor a alimentação de um indivíduo diariamente para manter o bom funcionamento do organismo.
Há uma pirâmide alimentar específica para a população idosa. Ela é dividida em cinco níveis:
1º nível: encontra-se em sua base e é composto pela água;
2º nível: é composto pelos alimentos ricos em carboidrato, como arroz, pães, biscoitos, macarrão, batata, mandioca, entre outros, que fornecem energia para o corpo e que o organismo necessita em maior quantidade;
3º nível: é composto pelos alimentos ricos em vitaminas, minerais e fibras alimentares como as frutas (laranja, melancia, banana, maçã, pera, abacaxi, abacate), verduras (alface, couve, repolho, escarola, almeirão), legumes (abobrinha, cenoura, vagem, berinjela, abóbora). Esses alimentos contêm nutrientes que irão regular o funcionamento do organismo;
4º nível: é composto pelos alimentos ricos em proteína de origem animal e vegetal. A proteína é essencial para construção do corpo e manutenção da massa muscular. Os alimentos reconhecidamente como fontes de proteína de origem animal são leite, queijos, iogurtes, carnes (bovina, suína, aves e peixes) e ovos. Os alimentos reconhecidamente como fontes de proteína de origem vegetal são, por exemplo, os grãos, como feijões, soja, amêndoas, nozes, castanha e amendoim;
5º nível: O quinto nível encontra-se no topo da pirâmide e é composto pelos alimentos ricos em gordura (óleos, manteiga, margarina, pizza, batata frita) e os alimentos ricos em açúcar (açúcar de adição, bolo, sorvete, chocolate, refrigerante), que são os alimentos que devem ser consumidos com moderação e que o organismo necessita em pequenas quantidades. Estes alimentos quando consumidos em excesso podem contribuir para o ganho de peso excessivo, além de favorecer o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, e também, a sarcopenia.

Nutrição x Sarcopenia

As alterações que acometem o organismo durante o processo de envelhecimento contribuem para o comprometimento do estado nutricional e, como há relação da desnutrição com a sarcopenia, a nutrição tem papel relevante em minimizar o desenvolvimento da doença.

Portanto, o nutricionista é o profissional que irá identificar o risco nutricional e estabelecer as necessidades nutricionais de cada idoso, é ele quem prescreverá a dieta e elaborará um cardápio balanceado, saboroso, respeitando os hábitos alimentares e as necessidades de cada um.

 

Carina Claudia Xavier – Nutricionista pela Universidade São Judas Tadeu, mestre em Ciências do Envelhecimento pela Universidade São Judas Tadeu, especialista em Nutrição Clínica pelo GANEP e em Vigilância Sanitária dos Alimentos pela USP.

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