Avaliação Neuropsicológica: O que é e para que serve?

Foto divulgação / Catia Coelho

A Neuropsicologia é a ciência que estuda as relações entre o funcionamento do cérebro e o comportamento humano, é uma das capacitações para os profissionais da Psicologia, que devem se especializar nesse segmento de atuação. Ela pode ser aplicada para o diagnóstico de doenças neurológicas, por meio de avaliação neuropsicólogica, e também, para terapias de estimulação e reabilitação cognitiva.

Portanto, os principais objetivos de uma neuropsicóloga clínica é identificar, diagnosticar e reabilitar (sempre que possível), sintomas de doenças neurológicas que afetam o comportamento, além de cuidar dos transtornos de humor e psiquiátricos em geral.

 

O que é Avaliação Neuropsicológica?

A avaliação neuropsicológica pode ser realizada em qualquer pessoa, de qualquer idade e independente da escolaridade ou nível socioeconômico, e o principal objetivo é compreender o funcionamento cognitivo da pessoa avaliada. Ou seja, esse tipo de avaliação é fundamental quando uma pessoa se comporta ou passa a se comportar de maneira diferente do esperado ou comum, de modo que essa diferença possa ser sintoma de algum:

– Transtornos de humor (Depressão, Ansiedade, Estresse Pós-Traumático etc);

– Transtornos cognitivos (comprometimentos cognitivos, déficit atencional etc);

– Acidente Vascular Cerebral;

– Traumatismo craniano;

– Demências (de Alzheimer, Vascular, Frontotemporal etc);

– Dificuldade de memorização e concentração;

– Prejuízos cognitivos que interfiram nos relacionamentos pessoais (família, trabalho etc), e também nas atividades básicas do dia-a-dia (autocuidado, gerenciamento das finanças, alimentação, entre outras).

Geralmente, as famílias procuram pela avaliação neuropsicológica quando há encaminhamento médico, mas isso não é um pré-requisito para realizá-la.

 

Como é feita a Avaliação Neuropsicológica?

Todos os testes que são utilizados em uma avaliação neuropsicológica no Brasil devem ser padronizados para a população brasileira, isso significa que um material criado em outro país pode ser usado por nós, desde que tenha sido submetido às adaptações para a nossa língua e cultura, garantindo que os resultados sejam fiéis ao estado cognitivo do nosso paciente.

Hoje em dia temos materiais considerados mundialmente padrão ouro para avaliação das inteligências verbais e não-verbais, das habilidades atencionais, de alguns tipos de memória, e aspectos cognitivos mais refinados, as chamadas funções executivas. Além disso, as neuropsicólogas também contam com instrumentos consagrados da Psicologia, para avaliação do humor e de comportamentos.

A avaliação do humor é de extrema importância para a compreensão do quadro clínico e funcionamento cognitivo porque alterações de humor podem estar relacionadas com o rebaixamento do desempenho de algumas funções cognitivas, por exemplo: pacientes com Depressão normalmente apresentam dificuldades de atenção e memória; isso porque áreas do cérebro que estão relacionadas com a regulação do humor, também desempenham papel importante na manutenção dessas funções cognitivas.

Um protocolo básico de avaliação neuropsicológica é composto por cerca de 15 testes para uma avaliação global de comportamentos, que revelam informações precisas e cruciais para o diagnóstico de transtornos cognitivos ou processos demenciais, bem como a diferenciação entre os tipos de demências, como por exemplo a Demência de Alzheimer, a Demência Vascular e a Demência Frontotemporal; três tipos de demências prevalentes na população brasileira e que podem ser facilmente confundidas se não houver um diagnóstico preciso. Os testes são lúdicos e é importante que a profissional conduza a sessão de maneira animada e divertida, já que é mentalmente cansativa, logo, o limite de cada paciente sempre deve ser respeitado.

 

Para que serve uma Avaliação Neuropsicológica?

Além do valor diagnóstico de uma avaliação neuropsicológica, que traz ao paciente e familiares uma maior compreensão do quadro clínico, de suas necessidades, das possibilidades de reabilitação e/ou progressão, explicando sobre os comportamentos “diferentes” que estão sendo observados (por exemplo: esquecimentos, desatenção, dificuldade para expressar pensamentos, confusão mental, persecutoriedade etc), seus  resultados também direcionam os médicos para a mais refinada conduta farmacológica, cuidados especiais, exames de acompanhamento e orientação da família e instituições as quais o paciente pode frequentar.

Em suma, se você observar em você mesmo, em algum familiar ou em amigo querido, alterações de comportamento que a avaliação neuropsicológica pode compreender, busque por orientação especializada. Quanto antes os diagnósticos forem realizados, melhores são os prognósticos e menor será o tempo da dúvida.

 

Dra. Amanda Consoli, Neuropsicóloga pelo Centro de Estudos Psico-Cirúrgicos em parceria com o Hospital das Clínicas de São Paulo (CEPSIC – HCSP), e Mestre em Ciências pelo Departamento de Psicobiologia, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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